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Entrevista com Dr. Clóvis Galvão, médico alergista e vice-presidente da ABRA-SP

Quer saber mais sobre a asma, uma doença crônica e sem cura que atinge nada menos que 12% dos brasileiros? Então confira a seguir a entrevista do vice-presidente da ABRA/SP e médico-alergista, Dr. Clóvis Galvão. Nela, o especialista aborda os três principais agentes causadores da doença, os diferentes perfis do asmático, a projeção de casos no Brasil e no mundo, e muito mais.

Qual a principal dificuldade para o tratamento da asma no Brasil?

A meu ver, hoje o problema maior está na falta de informação adequada e no alto custo dos medicamentos mais recentes: os chamados corticoides inalatórios.

Quais as origens da asma?

Cerca de 80% a 90% dos casos são hereditários. Existe ainda a chamada “asma intrínseca” ou “asma ocupacional”, causada pela constante exposição da pessoa a determinadas substâncias alérgenas. Por exemplo: madeira, produtos químicos, tintas, espumas para revestimentos automotivos etc.

Quais os principais vilões da asma brônquica?

No caso do Brasil, especificamente, são vários os agentes causadores da doença. O ácaro e a poeira, que se proliferam em ambientes quentes e úmidos, são os campeões. Outra causa provém das baratas, que por onde passam deixam o rastro de uma substância tóxica e alérgica. Há ainda os animais domésticos, cujos pelos liberam uma substância invisível a olho nu, proveniente de uma descamação da própria pele.

Como combater de forma eficaz esses causadores?

A regra de ouro é nunca varrer a casa de uma pessoa que sofre de asma e sempre utilizar o aspirador. Se ela possui animais que soltam pelo, a vassoura piora ainda mais as questões alérgicas. Outra providência importante é utilizar capas para travesseiros e colchões e lavá-las constantemente. Sem falar na importância de dedetizar a casa a cada seis meses, para evitar baratas, e seguir medidas de precauções contra a umidade e o bolor nos ambientes, nos armários e nas roupas. Se não puder lavar as roupas guardadas durante algum tempo, o ideal é deixá-las ao sol antes de vesti-las. O cheiro de guardado denuncia a presença dos ácaros. Por fim, de tempos em tempos recomenda-se tirar a poeira de tapetes, cobertores de lã e cortinas.

Quais os principais mitos que envolvem a asma?

Para começar, é bom lembrar que a asma é uma doença de origem hereditária e, portanto, não contagiosa. Por essa razão, é comum que os primeiros sintomas se manifestem na primeira infância, apesar de a doença também aparecer após a exposição contínua a alérgenos por pessoas pré-dispostas à doença. Outro erro comum é temer o uso dos remédios em spray (bombinhas), por acreditar que fazem mal ao coração ou viciam. Não há nenhum estudo científico que indique tal relação.

Qual é o cenário atual da asma?

A asma é uma doença que vem crescendo muito nos últimos tempos. Hoje, há aproximadamente 300 milhões de asmáticos em todo o mundo e a previsão é que daqui há dez anos esse número chegue a 400 milhões. Estima-se que no Brasil pouco mais de 10% da população sofra com a doença, mesmo quando não manifestada com frequência. Por isso, é essencial que as pessoas adotem medidas para evitar as crises asmáticas, incluindo o combate ao fumo e o apoio às práticas antitabagistas.




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